As citações cinematográficas de Don L




Don L é reconhecido por sua capacidade acima da média como cronista. Suas letras retratam histórias trazidas de sua vivência mesclada com referências externas sempre sagazes e que por vezes forçam o ouvinte pesquisar para entender o contexto que está sendo estabelecido.

Após Roteiro para Aïnouz Volume 3, as referências cinematográficas ficaram escancaradas. Decidi ir atrás de mais conteúdo na obra solo de Don L e listar todas suas citações diretas e algumas nem tão claras ao cinema.

As citações cinematográficas de Don L

Para montar essa lista utilizei a excelente plataforma Genius que compila informações e análises disponíveis sobre os artistas dos mais variados gêneros musicais. Por ser colaborativo, muitos detalhes que às vezes passam despercebidos ficam mais claros através de olhares alheios.

Uma experiência interessante ao ouvir um álbum é fazê-lo com a página aberta para reconhecer contextos e formar seus conceitos apoiadas na visão dos artistas e de fãs. Muitos álbuns ficam ainda melhores e mais complexos quando conhecemos cada elemento que o compõe.

Além de referências externas, ainda é possível checar anotações técnicas sobre quem fez o quê em cada som. Recomendadíssimo!

Blade Runner


Em Chips (Controla ou Te Controlam) da mixtape Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L há uma citação direta ao clássico da ficção científica Blade Runner. Na construção da letra há uma forte crítica a imposição de condutas através de controle tecnológico e questionamentos acerca da liberdade em diversos sentidos.

Pixote


Uma música recheada de citações e várias delas dentro da mesma estrofe é Cafetina Seu Mundo. A letra questiona e metaforiza a necessidade e dependência do dinheiro e consumo desenfreado. A citação de Pixote, filme do argentino Hector Babenco, abre espaço para uma dualidade, pois ao dizer que sabe quem matou Pixote remete ao filme inspirado na vida de Fernando Ramos da Silva, ator que interpretou o personagem principal do filme de Babenco e acabou assassinado anos depois pela ROTA, tendo o mesmo fim do tipo que retratou no cinema.

O Homem Que Virou Suco


Logo na sequência da letra há uma comparação entre dois personagens de filmes distintos. Em O Homem Que Virou Suco, Deraldo é um poeta popular nordestino que chega a São Paulo e é confundido com o operário de uma multinacional que mata seu patrão. O filme aborda sua resistência do poeta a uma sociedade que esmaga e tenta apagar suas referências cotidianamente.

Scarface

O contraponto a Deraldo é Tony Montana, o imigrante cubano que chega em Miami e constrói seu império gangster no clássico Scarface. Modus operandi distintos de combater as mazelas encontradas por todo aquele que quer vencer e se estabelecer em uma cidade diferente ou na vida.

Outra música que cita o tipo eternizado por Al Pacino é Eu Não Te Amo, faixa de abertura de RPA3. Em um contexto diferente, Don L critica a romantização de alguns rappers que se inspiram na vida desse personagem sem fazer ideia das consequências e da caminhada que constroem essa identidade gangster.

Bonnie & Clyde

O casal criminoso mais famoso de todos os tempos é referido no final do primeiro verso de Cafetina Seu Mundo. A história romantizada nas telas é mais branda que a metáfora utilizada na lírica.

Cidade de Deus

Além do trecho utilizado no final de Cafetina Seu Mundo, Cidade de Deus é lembrado em Cocaína de RPA 3 através do amor entre Angélica e Bené. O bandido amigo de todo mundo repensa sua caminhada pra viver sem neuroses ao lado da mina que o afasta do inferno e divide as bads e as boas com ele.

http://www.deveserisso.com.br/blog/wp-content/uploads/2017/09/don-l-15m.jpghttp://www.deveserisso.com.br/blog/wp-content/uploads/2017/09/don-l-15m-150x150.jpgIkie ArjonaFilmes e SeriadosMusicaDon L
Don L é reconhecido por sua capacidade acima da média como cronista. Suas letras retratam histórias trazidas de sua vivência mesclada com referências externas sempre sagazes e que por vezes forçam o ouvinte pesquisar para entender o contexto que está sendo estabelecido.Após Roteiro para Aïnouz Volume 3, as referências...