Frequência # 11   O rap é o novo rock?




Está no ar o Frequência #11 e esta semana Ikie Arjona e Davi Duarte tentam chegar à conclusão se o rap é o novo rock. Traçando um paralelo entre os dois estilos ao longo do tempo, discutem as características sociais que os equiparam.

Também comentam como o mercado fonográfico se moldou para absorver ambas as culturas e como os artistas se encaixam nesse processo.

Acompanhe o texto mais abaixo, pois esse episódio é mais um ponto de vista a ser considerado em relação ao artigo que escrevemos sobre o tema!

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Antes vilão, hoje o rap é dono do mercado fonográfico

Segundo relatório disponibilizado pela empresa de pesquisas Nielsen, o rap é o gênero mais consumido nos EUA. Não era necessária a realização de nenhuma pesquisa para verificar a supremacia de artistas do estilo em comparação aos demais gêneros.

Nos últimos anos, artistas de hip hop têm se destacado em premiações e encabeçado grandes eventos e festivais, além de dominar o mercado fonográfico ao redor do mundo. Muitos produtores e artistas de outros gêneros têm realizado parcerias para aproveitar a visibilidade que o hip hop proporciona atualmente.

Desde 1986, quando o Aerosmith retornou aos holofotes após o resgate que o Run DMC fez ao gravar sua versão de Walk This Way, o mercado tem olhado com mais atenção para os artistas de rap.

Frequência # 11   O rap é o novo rock?

Isso ocorre inclusive no Brasil, nos últimos anos muitos artistas que antes eram completamente ignorados pela grande mídia, conquistaram seu espaço e hoje já fazem participações regulares em diversos programas da TV aberta e são inclusive trilha sonora de novelas.

Mas como isso aconteceu? O que possibilitou a entrada desse gênero nos meios de massa, tendo em vista que há pouco tempo era tratado com tanto desdém?

O rock nacional representa a quem?

O Brasil tem como característica a monopolização do mercado fonográfico. Apesar de ser rico em gêneros, ritmos e artistas, quem decide programação de rádios e aparições televisivas é a influência de produtores e as ainda resistentes gravadoras.

Aproveita-se um lampejo de sucesso de determinado artista e exploram massivamente sua imagem até a aparição de um sucessor para dar continuidade ao mesmo processo. Muitos artistas acabam nem tendo a mínima chance de veicular seu trabalho, pois a massificação de mesmos ritmos é tão grande que nada mais é escutado a não ser o que é empurrado pelo mercado.

Há uma lenda de que o rock nacional foi o artífice da qualidade musical nacional. E seus representantes carregavam as insatisfações e anseios da população. Salvo raras exceções, os componentes dessas bandas eram brancos, de classe média e por vezes mais conservadores que a sociedade que taxavam como burguesa e retrógrada.

Nas periferias dos grandes centros, pelo menos a juventude que conheci não se espelhava nesses representantes. Não nos víamos ali e aquelas ideias não retratavam nenhuma das aspirações que carregávamos.

Muito por conta da absorção realizada pelo mercado que tomou como a cara da juventude aqueles grupos. E tratou de desconsiderar toda a representatividade e voz que havia por exemplo, no samba e outros ritmos populares.

Mesmo assim, o rock ficou marcado como a voz dos descontentes e revolucionários. E não, eles nem faziam ideia do quanto o punk era muito mais potente e atingia em cheio os ouvidos e corações de quem carrega a centelha da mudança.

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O rap é o novo rock?

Desde o início dos anos 90, o rap é a voz das periferias e salva mais vidas que qualquer organização filantrópica espalhada por aí. Seja ao retratar as histórias de quem luta por um mínimo de dignidade ou vislumbrando um futuro de atingir patamares mais altos através do orgulho e autoconhecimento.

Ao perceber a inevitável ascensão dessas vozes com a disseminação que a internet proporcionou, o mercado tem tentado domesticar e vender seu formato de rap. E obviamente, fazer o máximo de dinheiro possível num curto espaço de tempo.

Aparentemente os artistas do gênero são mais perspicazes do que os do rock, pois estão utilizando dos meios sem desviar de seu foco. Aproveitam cada oportunidade para marcar o território e dizer que se for pra consumir, será sem nenhuma concessão. Nem uma vírgula a menos nas frases daqueles que rimam os mesmos sentimentos há décadas e os donos do jogo fingiam não ouvir.

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