Zero, será que todos nascem com a mesma chance?

“Todos nascemos da mesma matéria, porém nem todos nascem iguais. O que você vai ser? O que se tornará? Alguns nascem para serem líderes, efetuando grandes mudanças no seu povo. Outros nascem para serem lembrados por seus grandes feitos. Mas para alguns, a vida seria uma constante batalha de zero oportunidades.”

Assim se inicia o fantástico curta-metragem de animação Zero de Christopher Kezelos e Christine Kezelos. Esta animação trata de temas recorrentes de discussões nos dias atuais como preconceito e bullying, mas que muitos fazem questão de negar sistematicamente seja por miopia, ignorância ou má vontade.

Imagine-se nessa situação: você está caminhando tranquilamente pelas ruas, mas dessa vez pode notar como as pessoas o observam com olhares de preconceito e desaprovação. É assim que muitas pessoas em situação de refúgio, obesos, negros, deficientes, homossexuais, pessoas em situação de rua, e muitas outras são tradas. Tudo isso está acontecendo agora mesmo e você não está fazendo nada para mudar. E sabe o pior? Você ainda pode estar reforçando esse comportamento.

Nos últimos meses conheci o trabalho fantástico da Adus e participei de projetos como a Copa do Mundo dos Refugiados e o Abraço Cultural, o que ampliou minha visão de mundo de forma abrupta. Sai de minha bolha de conforto e comecei a questionar pequenas atitudes do dia a dia como cada piada que parecia inofensiva, cada palavra que não parecia ter problema, cada vez que fingi estar no celular para ignorar alguém e diversas outras situações onde precisava ser mais humano. Por exemplo, pense nas seguintes frases:

  • Preconceito não existe.
  • Bullying forma caráter.
  • Mulher tem é que se dar ao respeito.
  • Todos têm as mesmas oportunidades, por isso todo pobre pode ser rico.
  • Eu não sou (adicione o que primeiro lhe vier à cabeça), mas…
  • Direitos humanos para humanos direitos.

Quanto tempo faz que você escutou uma delas? Garanto que não foi há muito. Estamos caminhando para um mundo perigoso, cheio de certezas e com poucos questionamentos, onde as discussões são cada vez mais rasas e desconexas.

Sei que é fácil descer a ladeira na banguela da razão sem precisar usar os neurônios, falando o que der na cabeça sobre outras pessoas, negando os direitos mais básicos sem se dar ao trabalho de conhecê-las, mas isso precisa mudar. Como Vernā Myers disse em sua palestra no TEDx Beacon Street, reconheça seus preconceitos e depois caminhe em direção ao que faz com que você se sinta desconfortável e não para longe. Assim começamos a mudança. Agora chega de conversa e vamos ao curta!

Como as coisas são engraçadas, era para ser apenas mais um post do “Curta esse aí!”, mas ao assistir Zero acabei escrevendo um desabafo ao melhor estilo “Meu querido diário”. Apesar do blog ser voltado para cultura pop, acho importante esse tipo de questionamento no momento conturbado que atravessamos (nem saímos tanto assim do tema, ainda tem um curta aí para você assistir!). Enfim, o que você achou do assunto e desse curta-metragem? Não esqueça de deixar seu comentário.

http://www.deveserisso.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/09/curta-metragem-zero1.jpghttp://www.deveserisso.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/09/curta-metragem-zero1-150x150.jpgLeonardo Pereira CruzCurta Metragem
'Todos nascemos da mesma matéria, porém nem todos nascem iguais. O que você vai ser? O que se tornará? Alguns nascem para serem líderes, efetuando grandes mudanças no seu povo. Outros nascem para serem lembrados por seus grandes feitos. Mas para alguns, a vida seria uma constante batalha de...