60 anos de F1, quase 30 de Galvão Bueno e mesmo assim faz sucesso.

Quando comecei a acompanhar os campeonatos de Formula 1, fui logo advertido por meu pai, um antigo admirador da categoria e esportes de motor em geral:

– Você chegou na hora errada, tudo que tinha de bom pra se ver nessas corridas, já foi visto.

Quando disse isso, ele se referia a Emerson Fittipaldi, Keck Rosberg, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Alain Prost, os milagres de Ayrton Senna (que acompanhei as duas últimas temporadas apenas) e claro, os coadjuvantes que eram bestiais como Gerard Berger e grandes bestas com Satoru Nakagima.

Tempos depois ele até assumiu estar errado, pois Michael Schumacher, Jacques Villeneuve, Mika Hakkinen, Fernando Alonso, Lewis Hamilton e até Felipe Massa fizeram com que o famigerado “Circo da F1” ficasse atrativo novamente.

Pouco discordo da teoria de que a graça acabou, pois foi sofrível ver algumas temporadas de Ferrari correndo sozinha, corridas sem ultrapassagem, pilotos medíocres comprando vagas em equipes sem nenhuma estrutura e o choro e sambadinha de Rubens Barrichello cada vez que chegava ao pódio.

Nessa sexagésima temporada fiquei mais curioso do que interessado no que pode acontecer, muitas equipes que não tem condição de terminar uma prova, a fim do reabastecimento, o grid lotado de carros e circuitos enfadonhos sem ponto de ultrapassagem.

Acompanhe a lista de equipes e fornecedores de motor:
Scuderia Ferrari Marlboro/ Ferrari
Vodafone McLaren Mercedes/ Mercedes-Benz
Mercedes GP Petronas F1 Team/ Mercedes-Benz
Red Bull Racing/ Renault
Force India F1 Team/ Mercedes-Benz
AT&T Williams/ Cosworth
Renault F1 Team/ Renault
Scuderia Toro Rosso/ Ferrari
Lotus Racing – BMW Sauber F1 Team / Ferrari
HRT F1 Team – Virgin Racing/ Cosworth


Repare na penúltima equipe. Como assim uma equipe reúne Lotus, BMW, Sauber e Ferrari na nomenclatura? Consegue ter o nome de duas equipes tradicionais e dois fornecedores de motores fortíssimos e não tem condição nenhuma de pontuar na temporada, coitado do esforçado e arrojado Kamui Kobayashi, talvez o melhor japonês que já chegou à categoria.

Outra aberração é a Force India, que era o saco de pancadas, desenvolver tão rapidamente seus bólidos a ponto de andar na frente de muita equipe tradicional.

E como sempre será uma temporada com muita disparidade e governos gastando muita grana pra ter pilotos representando suas nações, além de exorbitantes valores na manutenção e promoção de circuitos sem graça subutilizados durante o resto do ano, salvo raras exceções.

Para finalizar, sim, teremos mais alguns anos de Galvão Bueno, querendo saber mais que os especialistas, amigo de todos os pilotos e personalidades do esporte, esbanjando ufanismo e desespero em suas narrações ultrapassadas.

Acorde cedo, mas por favor, assista TV sem volume. Vai perder o barulho do ronco dos motores, porém será poupado das asneiras de nosso narrador favorito!

P S: Galvão Bueno narrou a vitória de Fernando Alonso, uma volta antes da corrida terminar. Depois, para tentar justificar, culpou o computador da TV local de estar marcando a volta errada. Quando percebeu que na tela estava marcado, “volta 49 de 49 disputadas” teve, enfim, que assumir o seu erro.

Post especial feito por Ikie do coletivo Bloco Se7e.

Leo CruzEsportesEsportes
Quando comecei a acompanhar os campeonatos de Formula 1, fui logo advertido por meu pai, um antigo admirador da categoria e esportes de motor em geral: - Você chegou na hora errada, tudo que tinha de bom pra se ver nessas corridas, já foi visto. Quando disse isso, ele se referia...