aborto-ilegal

Antes de qualquer coisa vamos deixar claro duas coisas:

  • Este post não é uma discussão sobre o ato aborto, mas sim sobre as clínicas que o praticam de forma ilegal. Sou favorável a liberação e regulamentação do aborto.
  • Não vamos indicar nenhum desses lugares e nem quem os conheça.

Policiais civis prenderam uma empregada doméstica por ter abandonado uma recém-nascida em Higienópolis, bairro nobre na região central de São Paulo. Nos grandes portais apenas mais do mesmo chorume habitual (não leia os comentários!), mas algumas coisas me chamaram a atenção. Sua situação econômica e seu desespero são típicos nesse tipo de situação. Não quero entrar no mérito de porque ela não fez isso ou aquilo, nem eu e nem você temos esse direito. E uma coisa me vem a cabeça: e se o aborto fosse legalizado?

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O aborto legalizado é uma prática benéfica para a saúde da mulher e potencialmente para a sociedade como um todo, se dúvida dessa informação leia o que o economista Steven Levitt diz em seu livro Freakonomics. Como sei que muitos terão preguiça, vou explicar aqui. Desigualdade de renda, corrupção policial e sistema judiciário fraco são fatores mais importantes no aumento da criminalidade, mas o aborto também contribui para a queda dos índices de crimes. A ideia é simples: crianças indesejadas têm risco maior de envolvimento em crimes, e a legalização do aborto reduz o número de crianças indesejadas. Por essa visão, não é difícil ver por que legalizar o aborto reduziria a criminalidade. Esse tópico é um soco na cara da turma do “bandido bom é bandido morto”, já que mostra que ela se preocupa com a criança apenas até o parto.

A hipocrisia de boa parte da população brasileira faz com que o aborto seja ilegal. Sendo ilegal, precisa ser realizado em locais clandestinos com condições precárias, pessoas despreparadas e equipamentos sem as mínimas condições de higiene. Não existe lado positivo para esses locais, são apenas uma forma de ganhar dinheiro com o desespero alheio enquanto não temos coragem de avançar nesse debate.

O que é o aborto?

O aborto é a interrupção da vida intrauterina, provocada pela própria gestante ou por terceiros. Os Artigos 124 a 128, do CPB preveem o aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento como crime, mas com duas exceções:

  • Aborto Necessário: o aborte ocorre quando gravidez oferece risco de morte para a mãe.
  • Aborto humanitário: ele ocorre quando a gestação e maternidade incutem vergonha ou raiva à mãe, como é o caso de gravidez derivada de um estupro.

Números da pratica do aborto no Brasil e no Mundo?

Segundo a Organização Mundial de Saúde o número de casos de gravidez não intencional ou indesejada é estimado em 87 milhões por ano em todo o planeta. Mais da metade dessas mulheres (46 milhões por ano) recorre ao aborto induzido, sendo que 18 milhões o fazem sem condições de segurança.

No Brasil, a OMS estima que 31% dos casos de gravidez terminam em abortamento, ou seja, quase três em cada dez mulheres grávidas abortam. Com base em dados do SIH-SUS, todos os anos ocorrem cerca de 1,4 milhões de abortamentos espontâneos e ou inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres de 15 a 49 anos. A maioria dos casos ocorre entre a classe média, no Nordeste e no Sudeste do país e com mulheres que já tem filhos. O abortamento é a quinta maior causa de óbito materno no país.

Como as Clínicas de aborto ilegais funcionam?

A maioria dessas clínicas funcionam em ritmo industrial, atendendo dezenas de mulheres por dia e cobrando valores que varia entre R$ 500 até R$7.000 reais. Em sua maioria, são mantidas por profissionais sem as qualificações necessárias e com equipamentos que não tem as mínimas condições de garantir a vida da mulher após o procedimento. Claro, estamos falando da realidade de uma mulher pobre, caso você tenha dinheiro, existem diversas clinicas de aborto em bairros de classe média/alta para lhe atender com segurança e conforto.

O processo utilizado na maioria dessas clínicas de aborto ilegais é conhecido como sucção. Nesse processo, após o colo do útero ser amplamente dilatado um tubo especial é inserido seguido de uma violenta aspiração (29 vezes mais poderosa que a de um aspirador de pó comum) que suga o bebê para dentro de um recipiente.

O impacto dos abortos nesses locais é enorme e pode ser estimado por meio dos casos em que as gestantes têm complicações que não conseguem solucionar sozinhas ou nas clínicas clandestinas e acabam por ter que recorrer aos serviços de saúde. A realização de curetagens devido a abortos tem se tornado cada vez mais comum, sendo, de acordo com o Ministério da Saúde, o segundo procedimento obstétrico mais praticado no país, após os partos normais.

Do ponto de vista da saúde da mulher, não há como um local sem recursos realizando operações que colocam suas vidas em risco ter um lado positivo. As mulheres entregam suas vidas nas mãos de pessoas sem qualificação para isso. Agora pensando pelo lado humano, a mulher que opta por arriscar sua vida realizando um aborto nesses locais não deseja a criança, seja pelo motivo que for. E aí que começa o problema, essas crianças indesejadas têm risco maior de terem uma criação traumática e reiniciar o ciclo. A legalização do aborto reduz o número de crianças indesejadas. Mas não vamos perder o foco, a maior preocupação quando se fala em aborto é sobre o direito de a mulher poder escolher ou não a interrupção da gestação.

Como disse, esse é um assunto polêmico e gostaria muito de saber a opinião de vocês sobre ele. Deixe um comentário e diga qual sua opinião sobre as clínicas de aborto ilegais.

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Antes de qualquer coisa vamos deixar claro duas coisas: Este post não é uma discussão sobre o ato aborto, mas sim sobre as clínicas que o praticam de forma ilegal. Sou favorável a liberação e regulamentação do aborto. Não vamos indicar nenhum desses lugares e nem quem os conheça. Policiais...