, Se o mundo for justo, o próximo álbum do Frank Ocean vai chamar Rodrigo Zin

Há tempos dizemos que o rap nacional é a vertente musical que mais gera bons frutos e tem uma capacidade de renovação acima da média. A cada semana somos bombardeados de singles, cyphers, EPs e álbuns, porém é difícil filtrar esse montante de informações e pescar o que de melhor surge no cenário.

Semana passada tomei conhecimento do trampo do Rodrigo Zin, e felizmente, meu primeiro contato foi com o EP recém lançado, ‘Francisco Oceano’. Felizmente, pois pude sacar de maneira mais ampla os conceitos apresentados pelo curitibano.


Depois de ouvir Francisco Oceano em diversas ocasiões, tenho um ponto forte de discordância com o Rodrigo. Pela extensão do trabalho, não consigo considerar um EP, mas um álbum cheio. Ainda mais por todo o conceito elaborado, ligação entre as faixas, das referências cruzadas e do minucioso cuidado em toda a produção estética e visual.

Se o mundo for justo, o próximo álbum do Frank Ocean vai chamar Rodrigo Zin

A utilização de samples gospel e até as ambientações harmônicas carregam o álbum num tom solene. Nada em excesso ou forçado, serve para pavimentar um caminho coeso de histórias bem contadas sobre amores em diversos aspectos.

As letras desse álbum são o ponto de destaque em minha opinião. Além do conteúdo denso e carregado de signos, as linhas compõem uma estrutura melódica que se fundem perfeitamente com os beats puxados ora para o trap, ora para o R&B. O que poderia se transformar em uma miscelânea de referências desordenadas e confusas, virou uma estante recheada de livros bem organizada.

Um trabalho rico que pessoalmente me transporta pra um passado não tão distante.

Pra quem morou em Curitiba e foi embora sem pegar ranço da cidade, enxerga cada verso como uma ode ao caos controlado e vozes sufocadas da capital pasteurizada que sonega os espaços e esconde o que tem de melhor a oferecer.

Praças, bares e calçadas são superfícies herméticas que colocam nos desavisados a culpa pelos tombos. Mas ninguém alerta sobre as pedras irregulares e escorregadias que vão do Bacacheri ao Xaxim permeando cada passo em falso gasto na caminhada até os tubos.

Cada trecho de Francisco Oceano é um gole d’água no percurso maldito e incerto de nosso cotidiano. É o signo de um mundo que tudo se mostra acessível, mas depois de tantas voltas fica distante e inalcançável. Como diz uma amiga minha, o pobre vive de teimoso. E a vida é a teimosia que nos cabe. Obrigado Rodrigo Zin, sem saber você definiu um universo paralelo e correlato.

Ouça Francisco Oceano de Rodrigo Zin:

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Há tempos dizemos que o rap nacional é a vertente musical que mais gera bons frutos e tem uma capacidade de renovação acima da média. A cada semana somos bombardeados de singles, cyphers, EPs e álbuns, porém é difícil filtrar esse montante de informações e pescar o que de...